Os Crusaders (antigos Canterbury Crusaders e BNZ Crusaders, chamados assim quando eram patrocinados pelo Bank of New Zealand) são neozelandeses e figuram entre as grandes equipes mundiais de rugby, sendo os maiores vencedores do torneio Super Rugby.

O time foi criado em 1996 como uma representação de outros grupos importantes para o esporte na Nova Zelândia: Buller, Canterbury, Mid-Canterbury, South Canterbury, Tasman e o Rugby Unions da Costa Oeste. Sua sede está localizada em Christchurch, no Rugby League Park.

O nome “Crusaders” foi escolhido porque lembrava as origens inglesas da cidade, tendo como mascote um cavaleiro portando uma espada, homenagem aos guerreiros ingleses que lutaram nas Cruzadas, expedições militares organizadas por soldados católicos que tinham como objetivo conquistar terras consideradas sagradas pela igreja católica, então sob domínio do povo otomano.

Contudo, em 2019, após um longo estudo de revisão da marca, o cavaleiro foi substituído por um símbolo de origem maori, uma mudança que gerou muitas discussões entre os torcedores do time, mobilizando imprensa, analistas esportivos e autoridades no assunto. Entretanto, o que muitos não sabem é que essa mudança possui uma justificativa que vai além de qualquer estratégia de marketing. 

15 de março de 2019 – Um dia triste para a Nova Zelândia

No dia 15 de março de 2019, na cidade de Christchurch, casa dos Crusaders, um australiano foi responsável por um atentado a uma mesquita com armas de uso militar, que matou várias pessoas, entre adultos e crianças. Não satisfeito com esse primeiro ataque, o criminoso se deslocou para uma segunda mesquita, em Linwood, localizada a dez minutos de distância do primeiro ataque.

No total, a ação vitimou 51 pessoas, e o crime foi considerado pelas autoridades do país um ato de violência sem precedentes, e um dos episódios mais sangrentos e sombrios da história da Nova Zelândia.

Esse triste episódio tem um fato ainda mais chocante: o atirador transmitiu tudo pelo Facebook, além de ter publicado um manifesto demonstrando sua intenção de atacar muçulmanos que, na visão dele, eram parte de uma teoria conspiratória que tinham como objetivo substituir e extinguir os europeus.

Moradores de Christchurch viram parentes, amigos e pessoas queridas perderem suas vidas, inclusive torcedores do time local de rugby, os Crusaders. Isso motivou o clube a iniciar esse trabalho de revisão da marca, justamente pelo fato de o símbolo do time ser um Cruzado, soldado participante das cruzadas inglesas à terra santa. 

A Nova Marca

Logo após os atentados de 15 de março de 2019, os Crusaders fizeram um pronunciamento oficial, afirmando que, diante dos fatos, era insustentável manter a marca do time, sendo necessário um estudo para repensar seus significados.

Essa fala conquistou tanto o apoio do público quanto a crítica da mídia e dos torcedores fazendo com que, durante meses, inúmeros comentários povoassem as redes sociais. Entretanto, os dirigentes levaram o projeto adiante, até que, em novembro daquele ano, fosse feito o anúncio oficial: o nome seria mantido, mas a marca mudaria o mais rápido possível.

Com a mudança, o desenho do cavaleiro cruzado foi substituído por um motivo maori, acompanhado do provérbio “ma pango, ma whero, ka oti te mahi” que, em português, seria como uma referência ao trabalho conjunto para se alcançar os objetivos e o uso do preto e do vermelho.

Foi cogitada também a possibilidade de se trocar o nome Crusaders, entretanto, os dirigentes afirmaram que existem outros significados para a palavra, como a lutas pela inclusão, por melhorias sociais, pelos direitos da juventude maori e das mulheres, que estão muito além das referências históricas militares cristãs. As cores do uniforme também foram mantidas, o preto e o vermelho, estando igualmente presentes no novo logotipo.

A marca pode ter mudado, mas o time continua acumulando vitórias e levantando troféus, deixando registrado seu nome entre as grandes equipes de rugby mundiais.