O futebol é uma paixão nacional e também mundial, além de mercado que movimenta milhões, por meio da contratação de jogadores, técnicos, divulgação de marcas, produtos, licenças para a transmissão de jogos, venda de ingressos, etc.

O Rugby também está entre os esportes mais praticados no mundo, modalidade que leva milhões de pessoas aos estádios e à frente das Tvs para acompanhar os jogos. Porém, se comparada a mobilização midiática e de recursos financeiros em torno das duas modalidades, veremos que o futebol detém o maior percentual de investimentos.

Poucos fenômenos possuem o alcance global que o futebol conquistou, e existem alguns fatores que explicam esse sucesso e justificam as diferenças de investimentos entre eles, a própria história dos esportes. 

A origem do futebol de reporta a séculos de história

O aprimoramento e as regras do futebol, assim como a criação do Rugby, são méritos dos ingleses que, no século XIX, unificaram regras ao mesmo tempo em que disseminavam ambos os esportes por suas colônias ou países fundados a partir delas, espalhados pela Ásia, África e Oceania. Além disso, a Inglaterra era uma potência econômica, política e militar nessa época, o que justifica também sua influência no continente americano e na própria Europa.

Porém, existem registros de jogos parecidos com o futebol, praticados com bola e pelo uso dos pés, entre os chineses, pela civilização maia, até pelos povos indígenas das Américas, que transformavam o estômago de animais em bolas que podiam ser chutadas por seus praticantes. O rugby foi uma adaptação, de maneira que os pés foram substituídos pelas mãos, gerando regras próprias nas quais podemos identificar a influência do futebol. Inclusive o termo “futebol” se reporta a esportes coletivos praticados com bola.

Devido a essa grande popularização, ao longo do tempo, foram se somando gerações apaixonadas pela prática que, pela observação, aprendiam suas regras, fáceis de serem transmitidas e de poucas exigências.

Outro fator que influencia essa expansão é a profissionalização dos atletas: o rugby só se profissionalizou na década de 1990, quando o futebol já se destacava por conta das contratações milionárias e do grande número de patrocinadores entre as equipes e nos campeonatos.

Como se percebe, não é por acaso que o futebol, até hoje, recebe a maior quantidade de investimentos, o que ajuda a aumentar ainda mais a sua popularidade, um ciclo contínuo que, a cada temporada, se torna cada vez mais atrativo. 

O rubgy conseguirá se igualar ao futebol quando o assunto é investimento?

Se essa pergunta fosse feita à Rugby Football Union (RFU), federação de rúgbi inglesa, a resposta seria sim, e a federação, no núcleo de nascimento do esporte, não mede esforços para tornar esse cenário possível em terras inglesas.

Antes da pandemia da Covid-19 a RFU investiu mais de 400 milhões de libras no esporte para transformar a Inglaterra na principal nação do rubgy em todo o planeta, de forma a superar o futebol, o que representa um aumento de 30% em relação ao último plano de expansão realizado. Como parte desses investimentos, estavam ações de incentivo ao esporte, formação de atletas e melhorias de infraestruturas, instalações e campos de grama artificial.

Para se ter uma ideia das diferenças de investimentos, no mesmo período que esse anúncio foi realizado, os vinte clubes da primeira divisão do futebol inglês gastaram, 1,16 bilhão de libras apenas em contratações.

Pelo que podemos perceber, o sonho da RFU e dos apaixonados pelo rugby de ter no esporte a mesma proporção de investimentos hoje direcionados ao futebol está um pouco longe de ser conquistado, porém, não é um sonho impossível.